Foi apresentado à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), no dia 9 de fevereiro, o projeto de lei (PL) nº 45/2022, que institui a Semana Estadual de Educação Midiática. A iniciativa, de autoria do deputado Caio França (PSB), estabelece que a data será celebrada na última semana de outubro, como parte da Global MIL Week (Semana Global de Alfabetização Midiática e Informacional), liderada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e ratificada pela Assembleia Geral da ONU.

O PL sugere uma série de atividades que podem ser desenvolvidas nas escolas de Ensino Fundamental II e Ensino Médio da rede pública estadual, extensivas à sociedade em espaços não formais e informais e facultativa às escolas das redes municipais e privadas de ensino. Também propõe o desenvolvimento de concursos culturais, a elaboração de planos de aula, a mobilização por meio de movimentos ou campanhas, entre outras ações.

O presidente da ABPEducom e professor da Universidade de São Paulo (USP), Ismar Soares, celebra a apresentação do projeto. “A nova lei possibilitará que o sistema educacional do estado de São Paulo detenha-se, anualmente, por uma semana, para refletir sobre um dos direitos fundamentais assinalados pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948”, afirma o professor, referindo-se ao artigo 19, que trata do direito à liberdade de opinião e expressão.

Soares destaca ainda que os artigos 2º (incisos V e VIII) e 3º (inciso III) do PL introduzem referências explícitas à Educomunicação como “um espaço de reflexão e de práticas que assumem a comunicação como um eixo transversal a toda ação educativa, numa perspectiva emancipatória e colaborativa”. “Os educomunicadores – uma vez aprovada a nova lei – se sentirão motivados e mobilizados a promover, em seus espaços de educação formal ou não formal, a Semana Estadual de Educação Midiática, convertendo em ações efetivas as propostas detalhadamente anunciadas pela nova lei”, finaliza o dirigente da Associação.

Ao tomar conhecimento das declarações de Soares, o deputado se disse “extremamente feliz” e dedicou sua coluna no jornal A Tribuna, de Santos (SP), à relação entre Educomunicação e Educação Midiática.

A íntegra do texto está disponível no Diário Oficial do Estado de São Paulo. O PL nº 45/2022 foi também tema de uma edição do Alesp Debate, transmitido pela Rede Alesp (canal de TV aberta e fechada com programas disponibilizados no YouTube), com a presença de Ismar Soares, Caio França e Patricia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta. O programa foi ao ar no dia 8 de março (assista abaixo).

Audiência

O projeto surge na esteira de audiência pública da Alesp conduzida por França, em outubro de 2021, com participação, entre outros especialistas, de associados da ABPEducom: o secretário executivo Claudemir Viana, professor da USP; o conselheiro Alexandre Sayad, codiretor geral do comitê internacional da Unesco MIL Alliance; e Carlos Lima, coordenador do Núcleo de Educomunicação da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.

Histórico

A relação entre a Educomunicação e as políticas públicas estaduais de São Paulo vem de longa data. Em 2002, o projeto Educom.TV foi desenvolvido pelo Núcleo de Comunicação e Educação (NCE/USP) em parceria com a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), mantida pelo governo paulista. Foi o primeiro curso online oferecido pela USP, tendo resultado na elaboração de 980 projetos interdisciplinares, apresentados por 2.243 professores da rede estadual.

Já a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo desenvolve desde 2019, em parceria com o NCE/USP e a ABPEducom, o projeto Educom.Saúde-SP, que já preparou mais de 700 gestores de saúde para a mobilização das comunidades locais em prol do enfrentamento das doenças decorrentes da infestação do mosquito Aedes aegypti.

 

Imagem: Alesp

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