Ao longo do mês de novembro, O Programa de Educação Tutorial (PET) Educom Clima, criado em 2024 na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), promoveu ações de destaque relacionadas ao debate nacional em torno da emergência climática, da desinformação e da justiça socioambiental, contribuindo com estudos, análises e experiências em eventos e publicações estratégicas lançadas no contexto da COP 30. O PET Educom Clima integra ações de ensino, pesquisa e extensão voltadas ao diálogo entre Educomunicação e os desafios relacionados às mudanças climáticas, e é coordenado por Cláudia Herte de Moraes, que integra a Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPEducom). As iniciativas evidenciam a contribuição do grupo na ampliação da visibilidade de práticas que aproximam comunicação, educação e meio ambiente, e, consequentemente, no fortalecimento da Educomunicação Socioambiental.
Na primeira semana da COP 30, integrantes do PET publicaram o relato de experiência “Em prol da justiça climática: saberes compartilhados” no dossiê Letramento Socioambiental: Educação ambiental climática: Educomunicação, justiça socioambiental e educação transformadora. O material produzido integra o projeto temático “Como a educomunicação pode ampliar e qualificar as práticas de educação ambiental climática na Educação Básica no Brasil?”. O lançamento ocorreu simultaneamente em Belém, na Casa da Educação e Inovação Ambiental e Climática, e em São Paulo, no auditório Lupe Cotrim da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), com transmissão ao vivo pelo canal do Labidecom no YouTube e promoção do projeto Educom & Clima, iniciativa do Núcleo de Comunicação e Educação da USP (NCE/USP) com apoio da ABPEducom. Ismar de Oliveira Soares, presidente da associação, esteve presente no lançamento do dossiê. A íntegra da publicação está disponível no portal online da Revista Letramento SocioAmbiental.
Com orientação de Moraes, o texto assinado pelos alunos(as) Júlia Weber, Júlia Gonsalo de Carvalho, Franchesco de Oliveira Y Castro e Raquel Teixeira Pereira, discorre sobre três ações formativas realizadas entre março e junho deste ano: a oficina Brasil em Chamas, o Momento de Leitura e a oficina Olhar de Jornalista, práticas que articulam Educomunicação, educação midiática e ambiental justiça climática e diálogo intercultural, em processos que uniram teoria e prática.
A oficina Brasil em Chamas, realizada com estudantes do ensino médio em Frederico Westphalen, discutiu os impactos das queimadas no Brasil a partir de dados, imagens e manchetes jornalísticas. Já a oficina Olhar de Jornalista, promovida durante o evento “Compartilhando Saberes” com estudantes da Licenciatura Intercultural Indígena da UFSM/FW, ofereceu uma vivência prática de fotografia e documentação visual. O Momento de Leitura, atividade quinzenal aberta à comunidade acadêmica que promove debates sobre comunicação, meio ambiente e justiça climática.
Outra ação recente do grupo foi o estudo de caso “Os discursos do atraso na base da desinformação ambiental sobre o Pampa”, contribuição do programa ao mapeamento “Panorama do Debate Digital sobre Clima no Brasil”, iniciativa da Rede de Parceiros pela Integridade da Informação sobre Mudança do Clima (RPIIC), com apoio da Secretaria de Comunicação Social do Governo Federal e do Governo do Reino Unido. O estudo teve como objetivo evidenciar de que maneira omissões midiáticas contribuem na manutenção de táticas de atraso que retardam avanços em políticas ambientais.
Um olhar Educomunicativo
Segundo Cláudia Moraes, a Educomunicação é uma aliada importante na delimitação de respostas à emergência climática. “Os trabalhos ressaltam a importância de integrar a pesquisa sobre desinformação, governança de crises e desastres à prática transformadora da Educomunicação Socioambiental, desta forma podemos contribuir para um futuro mais resiliente e justo, em sintonia com os objetivos da COP 30″, defende a associada da ABPEducom.
Para os alunos de graduação que participam do projeto, os chamados PETianos, a iniciativa representa a oportunidade de fortalecer um olhar crítico voltado a diferentes realidades sociais, o que reforça o papel da Educomunicação no PET. “O projeto me deu a oportunidade de conhecer perspectivas diferentes, mundos que eu não sabia como funcionavam, e como eu poderia me inserir neles sem um distanciamento, percebendo que uma extensão é uma troca, eu estou alí não para ensinar, mas sim muito mais para aprender”, ressalta a estudante Raquel Pereira. Já para Franchesco Castro, um ponto importante do projeto é a formação prática que ele possibilita. “Tem sido uma experiência que vai além do que eu aprendo em sala de aula. É uma oportunidade que me possibilita colocar em prática tudo aquilo que eu aprendi durante o curso. Aprendo coisas fora da sala de aula que vão muito além da teoria. O PET tem me dado a oportunidade de aprender e conhecer histórias e pessoas diferentes”, afirma o aluno.
Para maiores informações sobre o Programa de Educação Tutorial Educom Clima, acesse a página do projeto no portal online da UFSM.


