Foto: Enrico Marone

A abordagem brasileira de Educomunicação Socioambiental foi reconhecida como referência global em recente relatório da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, intitulado “Forecasting the Ocean: The 2025–2035 Decade of Ocean Science”. A publicação, disponibilizada no site oficial da instituição, apresenta diretrizes e prioridades para a denominada “Década da Ciência Oceânica” e foi desenvolvida a pedido da National Science Foundation (NSF), destacando a necessidade latente de buscar compreender e antecipar as mudanças nos oceanos e seus impactos nos ecossistemas marinhos e nas populações.

Sob a perspectiva de um avanço observado nos estudos básicos e aplicados nos últimos anos nesse campo, o relatório entende que a ciência tem permitido previsões mais precisas dos processos oceânicos e do leito marinho, e também auxiliado comunidades na adaptação às condições ambientais em transformação. No contexto dessa agenda internacional, o relatório cita diretamente um estudo de caso brasileiro coordenado pelos pesquisadores Leopoldo Gerhardinger e Rafael Gué Martini, conselheiro da ABPEducom, publicado na revista Nature Ocean Sustainability em 2024, e discorre sobre iniciativas do Painel Brasileiro para o Futuro do Oceano (PainelMar), projeto que propõe práticas interdisciplinares e educomunicativas enquanto ferramentas para a democratização do acesso ao conhecimento sobre o oceano e promover a participação popular em decisões socioambientais, engajando atores não acadêmicos na coprodução e compartilhamento de conhecimento sobre os oceanos.

Destacando a importância de estratégias inovadoras que visem superar desigualdades na governança marinha e costeira, o relatório estadunidense apresenta o PainelMar enquanto exemplo bem-sucedido na integração de redes de aprendizagem marinha e estratégias de alfabetização midiática e informacional, integração de comunidades marginalizadas à construção coletiva de saberes e à defesa da sustentabilidade marinha. A iniciativa é considerada um modelo eficaz para a formação de capacidades essenciais, fortalecendo a cidadania oceânica e a governança socioambiental democrática. A publicação destaca, ainda, que a iniciativa fortalece a cidadania oceânica.

Os autores do estudo ressaltam a relevância desse reconhecimento internacional, na medida em que o fato demonstra a valorização do “papel estratégico da Educomunicação Socioambiental do Brasil no enfrentamento de desafios globais, como as mudanças climáticas e a sustentabilidade dos oceanos, reforçando a importância da abordagem educomunicativa como essencial para o avanço das recomendações feitas no relatório para a próxima década das ciências do oceano”, defendem Gerhardinger e Martini.

Luís Felipe de Oliveira Scala é graduado em Educomunicação pela Escola de ​Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Por meio do Programa Unificado de Bolsas da Universidade de São Paulo ​(PUB/USP), atuou como colaborador do Núcleo de Comunicação e ​Educação da Universidade de São Paulo (NCE/USP). Em 2022 integrou a equipe de comunicação da então vereadora Erika Hilton, na ​Câmara Municipal de São Paulo.