Na primeira semana de setembro, a práxis educomunicativa marcou presença em debates internacionais durante a Digital Learning Week 2025, promovida pela UNESCO em Paris. O evento, que reuniu educadores, pesquisadores e gestores educacionais de diversas nacionalidades para debater os impactos da Inteligência Artificial no âmbito da educação, seus dilemas e possibilidades, recebeu Carlos Lima, professor e coordenador do Programa Imprensa Jovem, da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME-SP), responsável pela criação de agências de notícias em escolas do Ensino Infantil e Fundamental da capital paulista.

Em sua apresentação, de título “Imprensa Jovem: Alfabetização Midiática e Educomunicação para o empoderamento estudantil”, Lima, abordando a trajetória do projeto, destacou à cena internacional como os estudantes assumem papel de protagonismo no processo de produção de notícias e entrevistas, essas que por sua vez dão voz às suas respectivas comunidades. Em sua fala, o educomunicador também evidenciou a relevância de conectar práticas e conhecimentos da comunicação social aos processo educativos e o papel dos jovens no combate à desinformação e fake news.

A trajetória do Imprensa Jovem teve início em 2005, em uma escola da zona leste da cidade de São Paulo, estando atualmente em 400 escolas com 7 mil estudantes atuantes. A iniciativa nasceu a partir do sucesso do Educom.Rádio, formação educomunicativa oferecida pelo Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo (NCE/USP) a 11 mil pessoas, entre professores e estudantes de 455 escolas da rede municipal, entre 2001 e 2004. Ao longo de duas décadas de atuação, o Imprensa Jovem, que se consolidou como o mais importante projeto de alfabetização midiática e Informacional da América Latina, trouxe relevantes contribuições à educação pública paulistana.

Para o coordenador do Imprensa Jovem, a participação do projeto no evento realizado na capital francesa, que também incluiu oficinas e debates acerca da presença de tecnologias de Inteligência Artificial em sala de aula, foi fundamental para a ampliação do reconhecimento internacional da iniciativa, e reforçou importantes princípios do projeto. “O evento deixou claro que o futuro da educação passa pela tecnologia, mas principalmente pelo apoio à difusão da expressão comunicativa dos estudantes pela e com a comunicação. E é exatamente isso que o Imprensa Jovem vem fazendo há duas décadas”, destaca Lima.

Luís Felipe de Oliveira Scala é graduado em Educomunicação pela Escola de ​Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Por meio do Programa Unificado de Bolsas da Universidade de São Paulo ​(PUB/USP), atuou como colaborador do Núcleo de Comunicação e ​Educação da Universidade de São Paulo (NCE/USP). Em 2022 integrou a equipe de comunicação da então vereadora Erika Hilton, na ​Câmara Municipal de São Paulo.