Na última quinta-feira (12), o Museu Catavento sediou o “Festival Imprensa Jovem”, evento dedicado a celebrar as duas décadas de atuação do programa da Rede Municipal de Ensino da cidade de São Paulo. O festival, partindo da Semana Imprensa Jovem – Educomunicação, incluiu uma roda de conversa com ex-participantes do projeto, atividades culturais e debates educomunicativos sobre projetos de intervenção social, dentre outras atividades. Mantendo a tradição do protagonismo estudantil do projeto, o festival foi mediado e apresentado por Hudy Ferreira e Sophie Costa, ambos alunos de Escolas Municipais de São Paulo e jovens repórteres do Imprensa Jovem. Ismar Soares fundador do Núcleo de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (NCE/USP) e presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPEducom), participou do festival e tomou a palavra durante o evento.

A trajetória do Imprensa Jovem teve início em 2005, em uma escola da zona leste da cidade de São Paulo, e desde então é marcada pela criação de agências de notícias em escolas do Ensino Infantil e Fundamental da capital paulista,  estando atualmente em 400 escolas com 7 mil estudantes atuantes. A iniciativa nasceu a partir do sucesso do Educom.Rádio, formação educomunicativa oferecida pelo NCE/USP a 11 mil pessoas, entre professores e estudantes de 455 escolas da rede municipal, entre 2001 e 2004. Para Laís Costa, ex-aluna que passou pelo Educom.Rádio e esteve envolvida com o Imprensa Jovem desde sua fundação, o potencial transformador da iniciativa é uma de suas principais características. “Nunca tive dúvidas de que este projeto iria chegar longe. Foram mais de 10 anos de participação ininterrupta, inúmeras experiências incríveis vividas, personalidades entrevistadas, eventos de destaque internacional, palestras. Com toda certeza posso dizer que a trajetória que construí dentro do Imprensa Jovem formou meu caráter e a mulher que sou hoje”, afirmou a ex-integrante mais longeva do projeto.

Sob uma perspectiva educomunicativa, o Imprensa Jovem também representa uma possibilidade de promover o fortalecimento de processos comunicacionais em espaços marcados pela vulnerabilidade social, na medida em que fomenta o protagonismo infantojuvenil e a leitura crítica da mídia de forma capilarizada. “O projeto despertou em mim o senso crítico que estava contido. Ser repórter do Imprensa Jovem é reafirmar meus ideais e olhares diante o mundo e minha missão. Este programa é um grande floricultor do povo e das novas gerações que estão chegando. Flores nascem no asfalto e não nos céus. E nós, jovens jornalistas, emergimos das veredas e mazelas de nossas periferias para informar a comunidade e, sem perceber, já estamos fazendo revolução. O projeto não cria, apenas, possíveis futuros jornalistas, mas grandes cidadãos para nosso país”, destacou Hudy Ferreira, estudante da EMEFM Antônio Alves Veríssimo.

Para Sophie Costa, aluna da EMEF Elias Shammass que está em seu ano de despedida do Imprensa Jovem, o projeto provocou profundas transformações em suas vivências escolares. “A experiência foi libertadora, porque minha jornada no Imprensa começou muito antes que eu tivesse a oportunidade de participar dele, já que, quando mais nova, passei por diversas experiências ‘distópicas’ em outra unidade de ensino. Naquela época, acreditava que educação significava opressão e já havia me rendido aos padrões sociocomportamentais que eram impostos a nós, estudantes. Quando mudei de escola, eu estava decidida a nunca mais entrar em um projeto escolar, mas como eu disse durante o festival, ‘foi amor a primeira vista quando vi aquele colete laranja‘. Desde então meu mundo mudou, eu pude pela primeira vez ser escutada. Fico feliz que jovens como eu possam desenvolver seu senso crítico, pôr seus pensamentos no papel”, defendeu a estudante que mediou o evento ao lado de Ferreira.

A programação do Festival também marcou a celebração da Lei nº 18.268/2025, produção legislativa aprovada no Plenário da Câmara Municipal de São Paulo – agora sancionada pela prefeitura da capital – que consolidou oficialmente o Programa Imprensa Jovem na esfera da administração pública da cidade. A proposta de lei foi apresentada pelo vereador Eliseu Gabriel de Pieri (PSB), mesmo parlamentar que, em 2024, incluiu a Semana Municipal da Imprensa Jovem na legislação municipal referente a datas comemorativas, eventos e feriados da cidade de São Paulo; Agora, em mais um marco para o programa, a iniciativa se encontra no escopo da Secretaria Municipal de Educação da cidade.

Luís Felipe de Oliveira Scala é graduado em Educomunicação pela Escola de ​Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Por meio do Programa Unificado de Bolsas da Universidade de São Paulo ​(PUB/USP), atuou como colaborador do Núcleo de Comunicação e ​Educação da Universidade de São Paulo (NCE/USP). Em 2022 integrou a equipe de comunicação da então vereadora Erika Hilton, na ​Câmara Municipal de São Paulo.

3 respostas a “20 anos de Imprensa Jovem: A força de uma nova geração de comunicadores”

  • Tive a honra de participar, no dia 12 de junho, a convite do Prof. Carlos Lima, da Semana Imprensa Jovem – Educomunicação, destinada a celebrar duas décadas de vigência da mais bem avaliada das atividades que tiveram sua origem na herança deixada pelo NCE-USP à Secretaria de Educação do Município de São Paulo, nos primeiros quatro anos do presente século.

    Minutos antes de subir ao palco para, em nome o NCE e da ABPEducom, dirigir algumas palavras ao público presente no auditório do Museu Catavento, celebrando festivamente o êxito do Imprensa Jovem, a Profa. Regina Maria Nara, da EMEF Paulo Duarte, aproximou-se de mim com um radinho de pilha nas mãos e me perguntou: – o Professor reconhece?

    Hesitei por alguns segundos… mas Regina adiantou: – Sim, foi com esse radinho que participei da primeira e grande formação educomunicativa em São Paulo, no inídio do ano 2002, atingindo 11 mil pessoas, entre professores, estudantes e membros das comunidades educativas de 445 escolas públicas.

    Convidei a professora para subir comigo ao palco e juntos mostramos ao público o pequeno aparelho que realizou um verdadeira revolução, ao abrir ouvidos, corações e mentes de milhares de professores e estudantes para uma prática que hoje, passados 20 anos, ganha referência nacional e internacional, testemunhando o potencial da educomunicação para transformar os ecossistemas comuncativos dos espaços escolares da capital, inspirando, com sua coerência e eficácia, milhares de escolas no Brasil e na América Latina.

    Na sequência de minha fala, ressaltei o papel dos dirigentes da Secretaria de Educação, ao longo de sete diferentes administrações, na cidade de São Paulo, garantindo as condições necesssárias para que um Núcleo de Educomunicação pudessse existir e dar suporte a uma rede que hoje dispõe de 400 projetos educomunicativos em plena vigência.

    Vida longa ao Imprensa Jovem! Parabéns Prof. Carlos Lima, na liderança do processo, desde 2005!

  • Carlos, Imagino que 20 anos de imprensa jovem foi um trajeto de muito trabalho dedicação e aprendizado. Parabéns pra você e aos jovens e adolescentes por tudo que fazem!

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