Por Adrielly Reis | Fiocruz Brasília
O lançamento do Grupo Temático de Educomunicação e Saúde da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPEducom) ocorreu durante o XI Encontro Brasileiro de Educomunicação, realizado em Santarém (PA), entre os dias 13 e 15 de outubro. Além da Fiocruz Brasília, participam do GT representantes do Canal Saúde da Fiocruz, da Universidade de Brasília (UnB), da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), entre outros.
O GT é um desdobramento do acordo de cooperação técnica firmado entre a Fiocruz Brasília e a ECA-USP, em janeiro, sobre educomunicação e saúde, que já prevê o mapeamento de iniciativas e produção de conhecimento sobre o tema.
“O grupo de trabalho de educomunicação e saúde estava tomando corpo e aí a gente viu que precisava oficializar. Lançar o GT dentro do seminário expressa a importância da área da saúde e fortalece a construção das nossas ações”, destaca a coordenadora do GT, Aline Cavaca, pesquisadora em educomunicação no Núcleo de Educação e Humanidades em Saúde (Jacarandá/Fiocruz Brasília) que publicou a primeira revisão de escopo sobre educomunicação em saúde do país.
Aline ressalta que existe uma lacuna na área da educomunicação e saúde em comparação com a educomunicação socioambiental. “A área de Educom socioambiental, por exemplo, é muito forte. Existem políticas públicas estaduais super antigas que colocam a educomunicação como paradigma orientador da política de educação ambiental no Brasil, tanto na esfera federal como na esfera estadual”, afirma.
Educomunicação e a pesquisa
De acordo com a pesquisadora, os componentes da educomunicação podem ser agregados a todos os perfis de projetos, independente do recurso financeiro, basta que seja pensado desde o início da proposta, do planejamento das ações e que seja um trabalho participativo – premissa da educomunicação – o que pode mudar totalmente o viés da pesquisa.
“Acredito que, à medida em que, aqui na Fiocruz Brasília, a gente vai desenvolvendo essa expertise, vai sendo um termo que vamos conseguir incorporar com mais naturalidade nas nossas práticas”, pondera Aline.
Atualmente, as iniciativas de educomunicação estão sendo costuradas nos campos da educação midiática e popular para a construção de um conhecimento em saúde que agregue a todas as áreas que já desenvolvem um trabalho para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Mapear essas iniciativas dentro da Fiocruz Brasília que, na essência, são educomunicativas, mesmo que ainda não sejam nomeadas dessa forma, e analisar a conexão entre educomunicação e divulgação científica, são os objetos de estudo da aluna do Programa de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), Yasmin Carvalho.
Yasmin, que está no 5º período do curso de jornalismo da UnB, estabelece a relação entre o que aprende na universidade e o que vê na prática com a educomunicação.
“O jornalismo tem um componente social que é indispensável e muito humano. Mas é diferente quando você começa a ver ele ainda mais horizontal. E é muito interessante quando você mostra para as pessoas que elas já fazem educomunicação, ainda que não nomeiem dessa forma. Dá para ver que tem um brilho diferente, a pessoa parece que fica ainda mais animada com vontade de fazer coisas muito melhores agora que ela sabe como nomear aquilo que já faz naturalmente”, destaca Yasmim.
Uma das iniciativas já mapeadas é o Projeto Territórios da Construção de Si, uma pesquisa-ação participativa desenvolvida em parceria entre a Fiocruz Brasília, por meio do Núcleo de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas (Nusmad), e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). O projeto foi apresentado no XI Encontro Brasileiro de Educomunicação, na etapa online.
Educomunicação e a formação
Em uma parceria com o Ministério da Saúde e a Escola de Governo Fiocruz-Brasília (EGF-Brasília), a educomunicação surge como proposta de formação voltada aos novos servidores admitidos pelo Concurso Público Nacional Unificado (CPNU).
O curso é o Trilha Formativa (Re)Conhecendo o SUS, concebido com base nos princípios educomunicativos. A concepção do curso levou em torno de cinco meses, e a ideia é um convite à ação, na qual alunos e usuários do SUS nos territórios dialoguem sobre os princípios universais do Sistema.
“O próprio aluno tem uma reflexão sobre aquela temática, aquele assunto, e ele pode trabalhar aquilo de outra forma, além da leitura, dos vídeos, dos exercícios. Então, a proposta é esse convite a ações simples para poder identificar, no território, coisas que remetem ao SUS”, afirma Alexandre Barros, mestrando em Políticas Públicas em Saúde pela EGF-Brasília.


