Inspirado no tradicional programa da TV Cultura, novo formato educomunicativo estreou durante a Semana de Mudanças Climáticas de São Paulo e poderá ser reproduzido pelas equipes de Imprensa Jovem nas escolas.
Estudantes de seis escolas da Rede Municipal de Ensino de São Paulo participaram, no dia 21 de outubro, da primeira edição do Roda Viva do Estudante, uma experiência educomunicativa inspirada no tradicional programa de entrevistas da TV Cultura. A estreia aconteceu durante a Semana de Mudanças Climáticas, promovida pela Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas (SECLIMA) da Prefeitura de São Paulo, e teve como convidada a jornalista e liderança indígena Xucuru-Kariri Iva Batista.
Durante aproximadamente uma hora e meia, oito jovens comunicadores assumiram as funções de apresentação e entrevista, conduzindo uma conversa sobre mudanças climáticas, justiça ambiental, direitos dos povos indígenas e a importância dos conhecimentos ancestrais para o enfrentamento da crise climática.
Participaram da iniciativa estudantes da EMEFM Rubens Paiva (DRE São Mateus), EMEF José Mário Pires Azanha (DRE São Miguel), EMEFM Guiomar Cabral e CECI Jaraguá (DRE Pirituba), EMEF Humberto Dantas (DRE Freguesia/Brasilândia) e EMEF Jardim Eliana, do CEU Navegantes (DRE Capela do Socorro). As unidades representam diferentes territórios da capital paulista, reunindo equipes de comunicação estudantil em uma produção colaborativa.
A apresentação ficou a cargo de Pedro Palmeira, da EMEFM Rubens Paiva, e Bianca, da EMEF José Mário Pires Azanha. Também participaram como entrevistadores Washington Morais, Heloísa Leandro, Maria Eduarda Tavares dos Reis, Ulisses de Mattos Martim, Laura Kaene de Melo e Leonardo Brito.
Uma ideia que nasceu para se multiplicar
A realização do programa surgiu a partir de um convite da SECLIMA para que a EMEFM Rubens Paiva apresentasse a experiência da Editoria do Clima, projeto de educomunicação desenvolvido pela equipe Imprensa Jovem da escola. A proposta foi ampliada para concretizar uma ideia defendida há tempos por Carlos Alberto Mendes de Lima, criador do Programa Imprensa Jovem e coordenador do Núcleo de Educomunicação da Secretaria Municipal de Educação: desenvolver um programa de entrevistas no qual os próprios estudantes fossem responsáveis por pesquisar, formular perguntas e conduzir o diálogo com os convidados.
Mais do que reproduzir um formato televisivo conhecido, o Roda Viva do Estudante apresenta uma possibilidade de produção educomunicativa que pode ser incorporada ao cotidiano das escolas, sem depender de estruturas complexas ou grandes investimentos.
“Estamos vivendo um marco histórico para a educomunicação na cidade de São Paulo. Neste momento em que celebramos 25 anos de Educomunicação na Rede Municipal, o Roda Viva do Estudante surge como um novo projeto de intervenção educomunicativa, que promove a construção de conhecimentos de estudante para estudante, a partir de pautas de impacto social e em parceria com a TV Cultura. É uma experiência que pode ganhar espaço no Boas Práticas, da TV Cultura, mas, principalmente, pode ser multiplicada pelas escolas. Imagine as equipes de Imprensa Jovem organizando suas próprias rodas de entrevistas, trazendo professores, gestores, lideranças comunitárias e pessoas que fazem a diferença no território para o centro da conversa. É uma proposta simples, que potencializa os ecossistemas comunicativos e transforma a escola em um espaço de diálogo, escuta e produção coletiva de conhecimento”, destaca Carlos Lima.
Estudantes no comando da entrevista

A experiência também evidenciou a capacidade das equipes de Imprensa Jovem de atuar de forma articulada, compartilhando responsabilidades e construindo uma pauta comum a partir de diferentes perspectivas.
Para o professor Rafael Alves, coordenador da Imprensa Jovem e da Editoria do Clima da EMEFM Rubens Paiva, o maior resultado da iniciativa está na autonomia dos estudantes e na possibilidade de transformar uma experiência pontual em uma prática permanente.
“O mais importante não foi simplesmente colocar estudantes em um cenário de televisão, mas garantir que eles ocupassem, de fato, o lugar de entrevistadores. Foram os jovens que pesquisaram, elaboraram as perguntas e conduziram a conversa. E há algo muito potente em reunir equipes de diferentes escolas para construir uma experiência coletiva, em vez de cada uma trabalhar isoladamente. O Roda Viva do Estudante mostra que a educomunicação pode ampliar a circulação da palavra dentro da escola e aproximar os estudantes de pessoas e questões que fazem parte da realidade de seus territórios”, afirma Rafael.
Um novo espaço para o diálogo nas escolas
A proposta é que o Roda Viva do Estudante não se limite à estreia. O formato poderá inspirar novas edições e ser adaptado pelas equipes de comunicação estudantil, com entrevistas sobre temas de interesse da comunidade escolar.
Professores, funcionários, gestores, lideranças comunitárias, pesquisadores, artistas e representantes de movimentos sociais poderão ocupar o centro da roda, respondendo a perguntas elaboradas pelos estudantes.
Assim, o programa se apresenta como uma estratégia de educação midiática, participação estudantil e fortalecimento dos vínculos entre escola e território, ampliando as possibilidades de expressão, investigação e diálogo na Rede Municipal de Ensino de São Paulo.


