Em dezembro deste ano, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) concederá o “Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa 2025” ao Instituto Palavra Aberta (IPA), em reconhecimento aos 15 anos de atuação da instituição na defesa da liberdade de imprensa e do acesso à informação. O Instituto é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que promove eventos, publicações, divulgações e iniciativas educativo-culturais relacionadas ao direito à informação, a liberdade de expressão e a relevância social dos processos comunicacionais. A cerimônia será realizada no dia 4 de dezembro, das 10h às 12h30, no auditório do campus Tech da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-Tech), em São Paulo.

O Instituto Palavra Aberta, que mantém um histórico de parcerias com a Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPEducom), como no apoio a eventos e publicações dedicados a temas educomunicativos, foi criado em 2010, em uma parceria da ANJ com a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) e a Associação Brasileira de Agências de Publicidade (ABAP), órgão que atualmente é conhecido como Espaço de Articulação Coletiva do Ecossistema Publicitário. Desde então, a entidade se consolidou como uma das mais importantes instituições de defesa ao acesso à informação no país.

Educamídia

Entre as iniciativas notórias do Instituto, destaca-se o EducaMídia, programa criado em 2019 com o apoio do Google.org com o objetivo de promover capacitação a professores e organizações de ensino, além de engajar a sociedade civil nos processos de educação midiática das juventudes. Por sua vez, a ANJ enxerga na iniciativa uma importante ferramenta no combate à desinformação, assim como na valorização do jornalismo. Para Paulo Tonet Camargo, vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, a iniciativa também é fundamental para a defesa de uma prática publicitária responsável. “Temos que explicar para a sociedade, especialmente para os jovens, crianças e adolescentes, como é que se consome essa publicidade. É preciso aprofundar essa tentativa de universalização da educação midiática, com o estudo e a prevenção da publicidade enganosa”, destaca o executivo.

Fonte de inspiração: Educom geração-cidadã

Em diferentes ocasiões, a presidente do IPA, Patrícia Blanco, tem destacado que a inspiração para incluir o público receptor dos processos de comunicação midiática entre os beneficiários dos serviços prestados pelo Instituto teve origem no seminário “Educação Midiática e Informacional no Brasil – um olhar a partir da perspectiva da Unesco”, promovido pelo Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional em Brasília, no auditório do Senado Federal, em novembro de 2016, sob a coordenação de Ismar de Oliveira Soares, presidente da ABPEducom.

No evento, diante de personalidades como o jornalista Alton Grizzle, coordenador do programa “Media and Information Literacy” da UNESCO-Paris, um grupo de estudantes de 13 anos, vinculados ao projeto Educom.geração-cidadã, expuseram os resultados de um programa de educação midiática educomunicativo para a formação e o fortalecimento de uma visão crítica e cidadã das novas gerações em suas relações com o sistema de comunicação social, incluindo o combate à desinformação. A iniciativa reunia adolescentes paulistanos de uma escola privada (Colégio Dante Alighieri) e de uma unidade de ensino pública (CEU Emef Casa Blanca), com o apoio do Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo (NCE/USP).

Atualmente, Soares, representando a ABPEducom, mantém-se vinculado ao Educamídia, na qualidade de membro do Conselho Consultivo do programa.

Os novos desafios

Em recente artigo publicado pela Folha de São Paulo, Patrícia Blanco destaca que a relevância das iniciativas promovidas pela entidade que preside se faz cada vez mais evidente. “Nunca tivemos tanta liberdade. Mas também surgiram desafios: polarização política, desinformação e falta de confiança nas instituições têm colocado dúvidas sobre os limites da liberdade de expressão, tornando ainda mais importante o papel do Palavra Aberta. Uma sociedade educada midiaticamente se torna apta não apenas a usufruir dos seus direitos fundamentais, mas também a defendê-los e preservá-los”, defende Blanco.

Após a cerimônia de premiação, o evento contará com o painel “IA e o futuro do jornalismo”, que pretende debater os diversos impactos das tecnologias de inteligência artificial (IA) sobre a produção jornalística, contando com a coordenação de Marta Gleich (Grupo RBS), e a participação de Sérgio Dávila (Folha de S.Paulo), Eurípedes Alcântara (O Estado de S.Paulo) e Alan Gripp (O Globo), além de Patrícia Blanco.

Luís Felipe de Oliveira Scala é graduado em Educomunicação pela Escola de ​Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Por meio do Programa Unificado de Bolsas da Universidade de São Paulo ​(PUB/USP), atuou como colaborador do Núcleo de Comunicação e ​Educação da Universidade de São Paulo (NCE/USP). Em 2022 integrou a equipe de comunicação da então vereadora Erika Hilton, na ​Câmara Municipal de São Paulo.