A Educomunicação foi destaque na VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA), evento promovido pelos Ministérios da Educação (MEC), do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que teve como tema “Vamos transformar o Brasil com Educação e Justiça Climática”, e que, encerrando sua fase escolar no último dia 30 de junho, mobilizou  cerca de 9 milhões de estudantes dos anos finais do ensino fundamental em mais de 60 mil escolas de todo o país no desenvolvimento de jornadas pedagógicas acerca do enfrentamento às mudanças climáticas em seus respectivos territórios. As análises e projetos  nas escolas agora seguem para socialização na fase de conferências municipais, com os trabalhos mais expressivos avançando às etapas estadual e nacional, esta última a ser realizada em Brasília entre os dias 6 e 10 de outubro.

Ao longo dos anos, a Educomunicação consolidou-se enquanto referencial teórico-metodológico à CNIJMA, orientando a composição da mobilização das comunidades escolares. Desde a realização da primeira edição da conferência, em 2003, o campo educomunicativo tem sido um pilar na promoção do protagonismo infantojuvenil, como destaca a pesquisadora Vânia Beatriz de Oliveira, associada da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPEducom). Em sua terceira edição, no ano de 2008, a título de exemplo, o evento chegou a carregar a interface comunicação/educação desde o tema gerador, com o mote “Passo a Passo para a Conferência de Meio Ambiente na Escola +Educomunicação”. 

É nesse sentido que o portal online da VI CNIJMA no website do MEC apresenta em sua página inicial a prática educomunicativa como facilitadora da implementação das atividades previstas pelo programa. No vídeo “O Olhar da Educomunicação”, produzido em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande (UFRG), a educadora Sabrina do Amaral apresenta os objetivos centrais da conferência, enquanto Rachel Hidalgo, também associada da ABPEducom, reforça o papel da educomunicação como mediadora entre educadores e estudantes, destacando a potência de dinâmicas participativas na produção midiática, especialmente a audiovisual, para engajar jovens em análises críticas de suas realidades fortalecem a educação ambiental crítica. “A Educomunicação é um dos campos mais capazes de nos ajudar nos nossos enfrentamentos sociais, culturais. Não é somente incluir uma mídia, ou trabalhar com uma tecnologia, mas sim promover o exercício participativo da produção de uma peça”, afirma Hidalgo.

Estimulando os estudantes a refletir criticamente acerca de suas respectivas realidades locais na elaboração de soluções para questões ambientais e climáticas, a CNIJMA destaca-se, ainda, como uma preparação importante e estratégica para a Conferência do Clima (COP30), a ser realizada em Belém (PA), em novembro de 2025.

Luís Felipe de Oliveira Scala é graduado em Educomunicação pela Escola de ​Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Por meio do Programa Unificado de Bolsas da Universidade de São Paulo ​(PUB/USP), atuou como colaborador do Núcleo de Comunicação e ​Educação da Universidade de São Paulo (NCE/USP). Em 2022 integrou a equipe de comunicação da então vereadora Erika Hilton, na ​Câmara Municipal de São Paulo.